Falácia do Espantalho | Tipos de falácias
Hoje abordaremos a falácia do espantalho (ou falácia do homem de palha), nesta nossa série sobre tipos de falácias. Esta falácia é uma das mais utilizadas e pode passar facilmente desapercebida por ouvintes desatentos.
Depois deste conteúdo você ficará mais preparado para identificar a falácia do espantalho e saber como se portar quando presenciar seu uso.
Falácia do espantalho
A falácia do espantalho é muito usada em debates, principalmente os políticos. Ela consiste em ouvir uma proposição de seu oponente e, depois, modificá-la tornando-a mais fácil de refutar. É possível tanto modificar a proposição do oponente como também inventar uma que torne mais fácil a refutação.
Assim fica mais fácil contrapor o oponente uma vez que você não ataca diretamente o argumento dele e sim um criado por você através da invenção ou da modificação da proposição original seja de forma intencional seja sem querer.
Sim, é possível uma falácia espantalho surgir sem má-fé do debatedor se ele realmente não compreender o argumento de seu adversário, interpretá-lo de forma errada e refutar esta interpretação feita. No entanto, com ou sem má-fé, continua sendo uma falácia que não contrapõe de forma correta e honesta o argumento original apresentado.
O nome de espantalho é bem sugestivo uma vez que o debatedor cria um espantalho do argumento recebido de forma que fique mais fácil atacá-lo já que não oferece risco algum em analogia ao um ataque a seu adversário.
Imagine dois políticos em um debate sendo este o diálogo entre eles:
Político A:
“Qual o motivo do governo se preocupar apenas com o crime quando outros pontos como pobreza infantil e a destruição ambiental continuam de lado”?
Político B:
“Que surpresa saber que você pensa que o crime não tem importância! Com o crescente número de violência de gangues em nossas cidades passamos por uma desordem em grande escala! Vocês, da oposição, desejam uma sociedade em que as pessoas jamais poderiam se sentir seguras mesmo em suas próprias casas”!
Prestaram atenção no argumento espantalho? O Político A defende que outras questões além dos crimes também deveriam ter prioridade na agenda de governo do Político B, essa é a opinião real de seu argumento.
Para facilitar sua resposta e criticar o adversário, o Político B distorce o argumento criando um mais fraco chamado, metaforicamente, de espantalho. Ele atribui ao Político A a premissa de que o crime é um problema sem importância. Sabemos, no entanto, que não era isso que o Político A estava defendendo. Com esta atitude, o Político B rejeita uma opinião que não era sustentada por ninguém e deixa seu adversário sem a resposta que esperava. Tudo isso pela falácia do espantalho.
A falácia do espantalho é um argumento falacioso principalmente porque é uma fuga do assunto debatido. Refuta-se uma opinião que não é a sustentada pelo adversário no debate e sim uma criada para facilitar a resposta. É também falacioso este argumento por ser considerada uma estratégia retórica para ganhar a simpatia do público mesmo sem colocar bons argumentos em debate.
No exemplo, a segurança pública é um tema que gera preocupação da população diariamente. O Político B usou da falácia para sugerir que o Político A trata do tema segurança como algo secundário e, com isso, ganhar simpatia do público mesmo não sendo isso que o Político A disse e ficando o Político B sem responder o que realmente foi perguntado. Diante de uma platéia desatenta a resposta do Político B gera apoio político.
No vídeo abaixo apresento todo este conteúdo em formato audiovisual para reforçar este artigo ou para você que prefere a informação por este tipo de mídia:
Assista o vídeo direto no canal “O Direito e Eu”
Como identificar a falácia do espantalho?
Podemos identificar uma falácia do espantalho através de duas perguntas:
1 – A opinião do adversário no debate foi mal interpretada por quem respondeu?
2 – Essa opinião mal interpretada originou a crítica ou a rejeição das ideias de quem a proferiu?
Se as respostas para estas duas perguntas for SIM, estamos diante de uma falácia do espantalho ou do homem de palha!
Comecem a prestar a atenção em debates políticos, em mesas redondas, em entrevistas ou mesmo em suas conversas cotidianas em que algum assunto esteja em debate e perceba quantas vezes uma pessoa apresenta um argumento questionando outra e esta responde distorcendo totalmente o argumento original.
Faça esse exercício em seu cotidiano e logo você estará expert em identificar falácias espantalho e ficará imune a debatedores que tentam enganar o público criando (com ou sem má-fé), versões distorcidas dos questionamentos que lhes foram apresentados!
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Aguardo você no próximo conteúdo desta série! Não deixe de compartilhar com seus amigos da faculdade ou do trabalho e deixe seu comentário no final desta página para enriquecer o diálogo!
Abraços e sucesso!
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Referências bibliográficas:
RODRIGUES, Fábio. Não cometerás nenhuma dessas 24 falácias lógicas. Disponível em: https://papodehomem.com.br/falacias-logicas/. Acesso em 13/11/2019.
Babda B. 30 falácias mais comum utilizadas em debates e discussões. Disponível em: https://www.bandab.com.br/entretenimento/curiosidades/30-falacias-mais-comum-utilizadas-em-debates-e-discussoes/. Acesso em 13/11/2019.
GODOY, William. Falácia do espantalho: significado e exemplos. Disponível em: https://filosofianaescola.com/falacias/falacia-do-espantalho/. Acesso em 13/11/2019.